Um festival para chamar de seu – Os mitos da cena artística

Não sou um artista de festivais, não que eu não queira, mas acho que pelo fato de me ater mais em desenvolver coisas novas, acho que sou mais de produzir do que de correr atrás de contatos, preciso melhorar. E não é de hoje que algum produtor conhece o meu trabalho por intermédio de um fã, isso é uma coisa muito frequente e sou muito grato por isso.

Entre a adolescência até o início da minha juventude eu vi muitas bandas alugarem equipamentos e arrumarem espaços para fazerem eventos por conta própria a fim de mostrarem seus trabalhos. Depois das primeiras apresentações, as bandas compravam seus próprios equipamentos de som que tornava tudo mais fácil.

Por algum tempo era assim que rolavam os eventos, todo mundo se acostumou em ver shows em salões, galpões, auditórios, geralmente com uma boa frequência de público e nem sempre com um som maravilhoso ou ambiente aconchegante. Até que alguém pensou que seria legal ter um lugar com mesas e cadeiras pra ninguém ficar mais de pé o tempo todo, com um palco bem montado, som regulado, decoração bem transada, com bebidas variadas e porque não algum tira gosto? Surgiram então os Pub´s, bares, lounges e as bandas ficaram muito contentes, tudo ficaria mais fácil dali em diante e já não seria mais necessário se preocupar com metade do trabalho pesado.

Mas, trabalho pesado não é de graça, logo ingressos foram substituídos por cachê fixo, a frequência de shows que ficavam por conta das bandas, agora dependia da disposição dos estabelecimentos, que por sua vez preferiam variar as apresentações para garantir que tudo financeiramente corresse bem, E aí as bandas perceberam que:

1 – Criaram um público que passaram a lotar os novos estabelecimentos.

2 – Os amigos de faculdade agora mais velhos, não tinham mais aquela disposição para ir nos shows under ground’s.

3 – As próprias bandas envelheceram e logo perceberam que dava muito trabalho fazer eventos por conta própria.

Então durante algum tempo o que rolou foram os eventos nestes estabelecimentos, onde as bandas tinham um ambiente todo preparado para se apresentar geralmente em troca de um cachê fixo combinado previamente, mas o que estamos vendo agora? Essa nova geração entende que não importa ter estabelecimentos muito legais e badalados se os mesmos não abrem as portas para eles se apresentar e aí a história se repete.

Mais uma vez essa nova geração de músicos mostra sua facilidade em resolver dilemas que na minha época eram improváveis de resolver com tanta tranquilidade, quando no passado as bandas do mesmo estilo rivalizavam, hoje elas se unem e ainda mais, elas trabalham juntas.

Enquanto as bandas da minha adolescência e juventude tinham que praticamente financiar um enorme equipamento de som para fazer seus shows, a galera de hoje aluga tudo, tornando tudo mais barato, assim os ingressos também são acessíveis.

Como lidar com toda a ambivalência dessa nova geração, que também quer fazer som, mas não se importa tanto assim com grana e que se não conseguem tocar nos estabelecimentos, criam um festival para chamar de seu? Sente e observe a história se repetindo. O cenário musical é movido pelo público e quem é mais bem relacionado com o mesmo vai garantir sua continuidade na estrada da música, agora é a vez deles.

 

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Ari Frello iniciou suas atividades no universo musical tiveram início primeiramente nos bastidores, como guitarrista, violonista, gaitista, cantor, compositor, arranjador e produtor musical em estúdios de gravação a partir de 2000, professor de música em 2002 e em 2008 deu início a sua carreira artística. Pouco tempo depois, suas apresentações já haviam se estendido por mais de 30 cidades pelo Brasil e Argentina. Sua carreira conta com três álbuns autorais, “PRA ONDE EU FOR”, “A SIMPLE MAN UNTIL THE END” e “NO CAMINHO”. Hoje, Ari Frello faz parte da nova geração de artistas do Brasil que têm sido referência de boa música. Atualmente está em temporada de divulgação do seu novo álbum Ari Frello One Man Band Take 01 com os clássicos interpretados por ele nos shows.

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